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09/01/2011

Palito abre a temporada de adesões e deixa o bloco dos 14: quem vem depois?

Roberta Tum
O mês de janeiro mal começou e na primeira semana de governo já assistimos ao anúncio da primeira adesão à base de apoio do governador Siqueira Campos. O deputado Raimundo Palito oficializou em nota o que nos bastidores já era notório: que o PP volta ao grupo de onde saiu para ficar com Gaguim no episódio que fez de Valderez Castelo Branco candidata à vice. E na sequência de Palito, outros deputados já estão avaliando a reaproximação.


Na última semana de votação ordinária na Assembléia Legislativa, sentei com um deputado governista para conversar. Na pauta, as possíveis futuras adesões à base do governador eleito. Ele queria saber quais eram as informações de bastidores, quem afinal estaria conversando com o outro lado para compor. Conversa vai, conversa vem, o parlamentar me garantiu que tinha ouvido de Raimundo Palito a garantia de que não abriria mão de estar no grupo dos 15, agora oficialmente 14.


Na sequência da conversa, eu disse a ele que não sabia quem iria compor, mas que arriscava dizer quem não comporia. Ao primeiro nome da minha lista ele reagiu: “você já conversou com ele?” Eu estava me referindo a um dos mais ferrenhos adversários de Siqueira no passado. Diante da minha negativa ele continuou dizendo que ouvira do próprio deputado em questão que ele estaria “aberto para conversar”.

O segundo nome da lista foi justamente o do interlocutor. A mesma reação: “como assim eu não comporia? Por quê?” disse sorrindo. Pois bem. Contei o milagre sem contar o santo para preservar a fonte e dar uma breve prévia de como estão as coisas nos bastidores. Ao invés de protestar diante de comentários de que possam aderir, boa parte dos deputados protestam quando são colocados na lista dos que não o fariam sob nenhuma hipótese. Seria cômico se não revelasse a face clientelista do poder.

Não se trata de julgar ninguém, não estamos aqui para isto. O que interessa analisar expondo as razões, é quem tem princípios ideológicos, estrutura política e até interesses muito divergentes para impedir uma união com a base do governo de Siqueira.

Deputados com motivos para não compor

Minha lista dos mais resistentes começa com Josi Nunes (PMDB). Reputo a ela duas condições que a impediriam de aliar-se à base do governador: foi líder do governo que terminou, com raízes históricas no PMDB; é pré-candidata à prefeitura de Gurupi e não encontraria espaço para seu projeto político num grupo onde Goiaciara Cruz desponta como a bola da vez para suceder Alexandre Abdalla.

O segundo deputado que vejo com poucas condições de adesão é Iderval Silva. Além de liderar a bancada tem prática política historicamente contrária ao grupo que assume o poder. Vamos esperar, mas não acredito em sua adesão.

O terceiro é Eli Borges (PMDB), que tem uma prática política e condutas retilíneas a tal ponto que mudar seria arriscar-se a perder o eleitorado que lhe dá sustentação. O quarto é José Augusto Pugliese (PMDB). Não por que seja inflexível, mas pela forma como vem agindo desde a aprovação da LDO, além da gestão que deixa no Itertins ( há rumores de que alguns atos são questionáveis e serão revistos pela nova gestão). Há também Sandoval Cardoso, que pela independência financeira, e pelo vínculo com o ex-governador, dificilmente aderiria.

Depois destes outros poderiam integrar a lista, mas não me arriscaria a tanto. O bloco de três deputados do PT é uma incógnita, dado ao trânsito e bom relacionamento de Eduardo Siqueira com lideranças expressivas do PT Nacional, a proximidade construída com Raul, e a abertura do presidente Donizete Nogueira já manifestada inclusive a mim, durante entrevista no programa Na Ponta da Língua ( na fase da 96 FM) quando disse que as pessoas não compreendiam que “para quem sabe onde quer chegar, não importa a companhia”. Pragmático, sinalizava que tudo se pode conversar dentro de um contexto.

Apressadinhos se expõem demais

De um deputado federal eleito no grupo que apoiou Gaguim, mas que já demonstra disposição para acertar apoio e voto junto com os interesses do governo, ouvi uma frase engraçada: “Tudo se pode compor. O que não dá é para fazer isso logo de cara. Se não vamos nos encaixar na turma dos ‘apressadinhos e desavergonhados’ que o Siqueira falou lá atrás”. É verdade. A lembrança se aplica bem.

Ao que me parece, muitos, quase todos querem caminhar de braços dados com o governo. Só estão estudando a forma como se dará esta aproximação. Palito foi o primeiro. Quem será o próximo? Assistam a cena dos próximos capítulos. Assim como nas novelas, quando o desfecho do enredo vaza, o autor costuma escrever outro final.

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