Projeto
O Projeto Babaçu, previsto para ter um ano de duração e orçado em R$ 626.742,00 sendo que R$ 565.936,00 foram pleiteados junto a Petrobras e o restante financiado por outros parceiros, como o Governo do Estado, visa orientar as mais de oitocentas filiadas quanto à qualidade de higiene, padronização, divulgação e legalidade dos produtos do babaçu para conquista de mercado e ainda o desenvolvimento econômico e social destas famílias trabalhadoras rurais, por meio do fortalecimento da cadeia extrativista do coco babaçu em 11 municípios da região do Bico do Papagaio. “Não será fácil. O resultado final de nosso trabalho é artesanal, logo mais caro que o industrial. Precisamos portanto colocá-lo no mercado com o selo de qualidade de um produto orgânico, que na realidade é o que ele é, e com preço diferenciado como de todo produto orgânico”, disse a presidenta da Asmubip, Raimunda Nonata, coordenadora geral da entidade no período de 94/96 e agora desde de 2003.
Parcerias
Colocar os subprodutos do babaçu no mercado, (elas dizem usufruir de quarenta e oito utilidades da palmeira e do coco do babaçu, como leite, azeite, farinha do mesocarpo, sabão, carvão, etc.), pelas discussões travadas nos dois dias o grande gargalhos e talvez o principal desafio hoje enfrentados pelas quebradeiras, por isto se discutiu, com apoio da Secretaria de Trabalho e Ação Social do Governo do Estado do Tocantins (Setas), APA-TO (Alternativa para a Pequena Agricultura do Tocantins) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Tocantins (Fetaet), a possibilidade dos governos tanto estadual quanto federal estarem incluindo no cardápio da merenda escolar produtos do Babaçu assim como a aquisição de máquinas, equipamentos, materiais e contratar serviços que venham implementar o processo produtivo das mulheres, em razão aventou a possibilidade de se buscar novos parceiros.
Guerreiras
| Ouvir as histórias das mulheres quebradeiras de coco é ouvir histórias deliciosas de lutas e superação, sempre contadas com muito humor e paciência. As palavras são deliciadas como se fossem troféus ganho no segundo final da resistência da lida diária. “A Asmubip, foi mais que uma escola para muitas mulheres quebradeira. Ensinou a sair da cozinha, a falar, a discutir, a se impor, a brigar por direitos até então negados ou que não sabíamos”, diz dona Beliza da Costa Sousa,60, da comunidade, como elas se referem ao lugar que moram, de Juverlândia. Natural de Valencia-PI, de onde chegou aos 14 anos, | |
| e desde então quebra coco, principalmente a partir dos 17 anos, quando se casou e precisou ajudar nas despesas de casa e no sustento dos sete filhos naturais e dois adotivos. “Reclamo todos os dias para melhorar minha vida e das minhas companheiras e não para me maldizer da sorte. Sou uma mulher guerreira, vivo do meu trabalho e não tenho tempo para lastimar”, conclui com um sorriso faceiro de quem realmente tem uma história para contar. Dona Nonata, a coordenadora geral da Asmubip, é outra história de luta e superação. Natural de São Miguel, quebra coco desde criança, mãe de dois filhos, viúva, dedicou e dedica boa parte de sua vida a militância na entidade e no trabalho diário de orientação do aproveitamento do produto de seus sustento e preservação dos babaçuais da região e diz: “Tenho orgulho do que faço, por mim e pelas minha companheiras das comunidades. Nosso trabalho é um trabalho de conquistas lentas, mas muito importante”. Ela diz que apesar da lida insalubre enfrentado hoje e que dificilmente se extinguirá, enquanto existir coco babaçu vai existir quebradeira. Ela sustenta que se trata de uma atividade tanto econômica quanto social e cultural. “Existirá sempre pessoa no interior e pobre que vai necessitar desta atividade para sobreviver”. Ressaltando que as pessoas aprendem naturalmente e por necessidade a quebrar o coco e usufruir de todos os seus benefícios. (Da Redação) | |
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